Isenção do IR até R$ 5 mil: o que muda no seu bolso em 2026

Desde janeiro de 2026 está em vigor a Lei nº 15.270/2025, que mudou a forma como o Imposto de Renda da pessoa física é calculado. A promessa, bastante divulgada, é a “isenção para quem ganha até R$ 5 mil”. Na prática, a lei não mexeu na tabela progressiva. O que ela criou foi um redutor: um desconto aplicado sobre o imposto já calculado, que zera o IR de quem ganha até R$ 5 mil e diminui o de quem ganha até R$ 7.350.

Como funciona o redutor, na prática

O imposto continua sendo calculado pela tabela progressiva normal. Depois disso, aplica-se o redutor, que depende dos rendimentos tributáveis do mês:

Rendimento tributável mensalO que acontece com o IR
Até R$ 5.000,00Redução de até R$ 312,89: o imposto fica zerado
De R$ 5.000,01 a R$ 7.350,00Redução parcial = R$ 978,62 − (0,133145 × rendimento)
Acima de R$ 7.350,00Sem redução: vale a tabela progressiva normal

Exemplo: para quem tem R$ 6.000 de rendimento tributável no mês, a redução é de R$ 978,62 − (0,133145 × 6.000) = R$ 179,75 a menos de imposto por mês. Quanto mais perto de R$ 5 mil, maior o desconto; ao chegar em R$ 7.350, ele some.

Na declaração anual a lógica é a mesma, com valores anuais: isenção para rendimentos tributáveis de até R$ 60.000 no ano (redução de até R$ 2.694,15) e redução parcial até R$ 88.200.

Atenção a um detalhe importante: o redutor olha para o rendimento tributável bruto, e não para a base de cálculo depois das deduções. Por isso, deduções como dependentes, saúde ou PGBL continuam úteis, mas o efeito delas muda para quem está na faixa de R$ 5 mil a R$ 7.350.

O que conferir no seu contracheque

  • Ganha até R$ 5 mil de salário tributável? A linha de “IRRF” deve estar zerada desde o salário de janeiro. Se ainda aparece desconto, converse com o RH.
  • Entre R$ 5 mil e R$ 7.350? O IRRF deve ter caído em relação a 2025. Compare dois contracheques (dez/2025 e um de 2026).
  • Tem mais de uma fonte pagadora? Cada empresa aplica o redutor considerando só o que ela paga. Na declaração, os rendimentos são somados e pode surgir imposto a pagar. Vale guardar uma reserva para isso.

E quem ganha muito? O imposto mínimo

Para compensar a perda de arrecadação, a mesma lei criou um Imposto de Renda mínimo para altas rendas: quem recebe mais de R$ 600 mil por ano (somando rendimentos que hoje são isentos, como lucros e dividendos) passa a ter uma alíquota efetiva mínima, que cresce até 10% para rendas a partir de R$ 1,2 milhão. Além disso, lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês, pagos por uma mesma empresa à mesma pessoa, sofrem retenção de 10% na fonte. Esse ajuste acontece na declaração de 2027, e o planejamento precisa ser feito ao longo de 2026, não na hora de declarar.

O que muda na declaração de 2027

A declaração entregue em 2027 (ano-calendário 2026) será a primeira com o redutor. Três recomendações práticas:

  1. Organize os comprovantes desde já: informes de rendimento, recibos médicos, despesas com educação e contribuições de previdência.
  2. Simule completa × simplificada: com o redutor, a escolha que era óbvia pode ter mudado.
  3. Avalie o PGBL até dezembro: para quem declara no modelo completo e ganha acima da faixa do redutor, o aporte ainda pode reduzir bastante o imposto. Para quem ganha menos, pode não compensar.

Conteúdo educacional, baseado na legislação vigente em setembro de 2026. Não constitui recomendação de investimento nos termos da regulação da CVM nem aconselhamento tributário para casos concretos.

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